sexta-feira, 16 de julho de 2010

"Cidade da Saúde": Situação dos hospitais do Rio

Caros concidadãos,

após uma saudável sugestão da minha madrinha, que trabalha no Miguel Couto, resolvi ver quanto que foi gasto ano passado nos hospitais do Município.
Aqui, contudo, o problema é mais enrolado. A saúde envolve uma confusão de verbas, muitas delas repasses federais (como o SUS), que acabam se misturando com verbas municipais. De todo modo, o RioTransparente dá algumas indicações de quanto foi destinado em 2009 para nossos hospitais. A tabela abaixo mostra os valores compilados (clique para ampliar):


Vemos que o Salgado Filho recebeu a "maior" verba, com aproximados R$61 milhões ano passado. Souza Aguiar em segundo, com quase R$58 milhões e, em terceiro, o hospital da minha madrinha, o Miguel Couto, com quase R$57 milhões.
O incrível aqui acontece quando abrimos as despesas. Vamos pegar o Miguel Couto.
Existem dois programas responsáveis pelos gastos do Hospital: um, com o bonito nome de "Inovação e Descentralização da Gestão" e outro chamado "Provisão de Gastos com Pessoal".
Dentro da Inovação, temos as revolucionárias ações de "prestação de serviços médicos", os quais englobam "Material de consumo" (R$11.497.780,15) e "Outros serviços de terceiros - Pessoa Jurídica" (R$318.747,91). Essa última eu acho que são serviços daquelas cooperativas polêmicas. Veja você, super revolucionários. Algo inédito na História da Medicina: utilizar material hospitalar e médicos terceirizados. Fantástico.
No outro programa, chamado "Provisão de Gastos com Pessoal", temos duas fontes de recursos (ou seja, de onde a grana vem). Uma com o místico nome de "Ordinários não vinculados" (que parece mais uma música do É o Tchan) e outra chamada "Prestação de Serviços Médicos".
Os "ordinários não vinculados" (R$38.011.832,21) englobam quatro grupos: 1) contratação por tempo determinado (R$0,00); 2) vencimentos e vantagens fixas - pessoal civil (R$37.040.541,22); 3) outras despesas variáveis - pessoal civil (R$696.976,06) e 4) auxílio-transporte (R$274.314,93).

Bem, nós utilizamos basicamente R$37.040.541,22 para pagar nosso pessoal de saúde. É público e notório que os profissionais da rede ganham um salário de miséria. Não parece ter algo errado aí? De qualquer modo, está nesse momento além da minha capacidade fazer mais estimativas nesse caso. Sei que o salário de um médico municipal gira em torno de uns R$2000, já com vários 'penduricalhos'. Isso para nem falar o de um enfermeiro ou de outros profissionais...

A questão aqui é, outra vez, de prioridades. Especula-se que a Cidade da Música tenha custado aos cofres públicos algo em torno de R$550 milhões. A manutenção anual (2009) de todos (eu disse todos) os hospitais da rede pública municipal custou ao erário R$403.181.595,82. E o trem-bala irá custar algo em torno de R$30 bilhões (já ouvi estimativas desde R$15 até R$50 bi). Ou seja: com o valor pago na construção do trem-bala daria para bancar 60 anos de saúde pública no Rio - ou então: no lugar da cidade da música poderíamos ter dobrado o orçamento dos nossos hospitais em um ano.

Fica para reflexão.

3 comentários:

  1. E na verdade continuamos olhando de boca aberta sem sequer imaginar como parar isso.

    Vivemos em uma cidade-ilusão mesmo.

    Ninguém imagina dizer NAO para estes projetos turistiquescos e investir em algo mais palatavel e humano.

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  2. Vim parar aqui pelo facebook de um amigo em comum ou algo do tipo (acho que temos alguns). Gostei bastante da idéia do blog.

    Uma sugestão no lugar de ser "Um blog para aqueles que são chatos em relação a como o seu dinheiro é gasto" deveria ser algo voltado àqueles que são "legais" como o dinheiro o gasto. Ou seja, chato não é quem se importa pelo uso indevido ou não uso do dinheiro público, chato é quem não se importa. ;)

    Claro que a idéia de "legais" não é uma idéia em si, é só para sugerir que seja algo nesse sentido.

    Enfim, um abraço e continue com o bom trabalho.

    P.S.: E em seu lugar eu diminuiria um pouco das suas informações individuais expostas no mesmo. Mas isso talvez seja bobagem da minha cabeça.

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  3. Estou aqui lendo a partir do Facebook de minha esposa. Acho a iniciativa interessante mas muito superficial. Trabalhei muito anos em governo e hoje trabalho em um Banco onde minha função me obriga a ler análises de balanços orçamentários com certa frequência e quando estas não estão bem feitas preciso fazê-las e solicitar as modificações.
    Acho que se deseja realmente fazer algum tipo de análise você precisa se deter aos conceitos básicos (Fonte, Programa de trabalho e Natureza de Despesa). As fontes e os PT´s constam da LDO e do PPA as Naturezas de Despesa são disciplinadas por lei! Da forma como está fazendo você não irá chegar a nenhum lugar e suas conclusões ficam, digamos, prejudicadas...
    Por último, acredito que você não deveria misturar bananas com laranjas, comparar Trem de Alta Velocidade com Cidade da Música e Com Orçamento de Custeio da Saúde, não faz muito sentido, são aplicações distintas com fontes de recursos distintas e equações financeiras distintas, fica meio pueril e acaba tirando credibilidade de sua excelente iniciativa..
    Não estou fazendo juízo de valor sobre os seus exemplos (cidade da música e trem de alta velocidade)não caberia aqui em tão pequeno espaço um debate sério sobre estes assuntos, somente fica aqui uma "dica" para que seu trabalho não se perca.

    Att

    Marcos Motta

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